quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Comerciários realizam assembleia nesta sexta-feira

Comerciários realizam assembleia nesta sexta-feira

O Sindicato dos Empregados no Comércio de Ijuí realiza sua assembleia geral ordinária nesta sexta-feira (09), as 18:30 horas, no auditório da sede da entidade.

A presidente Rosane Simon esteve na capital esta semana e como 2ª vice-presidente da FECOSUL negociou acordo coletivo de trabalho com mercados, farmácias e revendas de bebidas. A provável votação do fim do fator previdenciário e o reajuste no piso regional do estado também foram debatidos pela sindicalista, em reunião da diretoria da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).

Na assembleia, além da atualização sobre as últimas negociações do dissídio da categoria, será apresentado o balanço financeiro e patrimonial da entidade e o orçamento para o próximo ano.

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Assembleia Festiva comemorou dia dos comerciários



Uma grande assembleia no auditório do Sindicato dos Empregados no Comércio de Ijuí na noite de terça-feira, 30, comemorou o dia dos comerciários. O 30 de outubro passou a ser considerado o dia da categoria quando em 29 de outubro de 1932, comerciários aglomeraram-se no Largo da Carioca, no Rio de Janeiro, e marcharam em direção ao Palácio do Catete, com quase 5 mil pessoas, para exigir um trabalho mais digno e humanizado.

O presidente Getulio Vargas os recebeu e nesse mesmo dia assinou o Decreto Lei N° 4.042, de 29 de outubro de 1932, que acabava com a carga horária de 12 horas diárias, passando para 8 horas, e instituía o repouso semanal remunerado aos domingos. O decreto-lei foi publicado no Diário Oficial do dia 30 de outubro de 1932, e assim marcou a data como o Dia do Comerciário.

Dissídio ainda está em debate
Apesar do clima festivo, a assembleia foi marcada principalmente pela definição de ações da categoria em relação a negociação do reajuste salarial. “Não é sempre que conseguimos traduzir a importância da presença dos trabalhadores em nossas assembleias. Nossa luta é forte na proporção em que estivermos mais unidos e presentes e essa assembleia bonita serve também para nos lembrar da participação de todos nas nossas lutas do dia a dia”, disse a Presidenta do Sindicato, Rosane Simon, após saudar e parabenizar os presentes pela data. Como em todos os anos, a negociação com o SINDILOJAS em Ijuí é uma das mais difíceis da região. “A participação de vocês nos fortalece. Quando os empresários souberem que nós lotamos este espaço vão saber que a categoria está mobilizada”.

A proposta inicial do sindicato patronal para este ano era somente a de pagar o piso regional que está em R$ 732,00 e 6% de aumento para os demais. Após algumas reuniões a proposta aumentou para R$ 740,00 de piso e 6,4% de aumento para os demais. O Sindicato dos Trabalhadores pede R$ 750,00 de piso e um aumento de 7%. Há ainda um impasse com relação ao piso para os trabalhadores dos serviços de limpeza. O patronal oferece o mínimo nacional, R$ 622,00 e o Sindicato dos Comerciários pede R$ 700,00.

“Precisamos de mobilização. Lotar nossas assembleias e se não tiver espaço no auditório faremos ela na rua. Pedimos a todos para que conversem nas empresas com os gerentes e com os empresários para que melhorem esta proposta. Com a economia em alta e o salário do comércio cada vez mais achatado, vai acabar faltando trabalhadores para o setor”, concluiu Rosane Simon.

Os comerciários se reúnem em assembleia ordinária sempre na segunda sexta-feira de cada mês. A próxima esta marcada para o dia 9 de novembro. Como todos os anos, os trabalhadores não fecham o acordo para o horário de natal enquanto o dissídio não estiver acertado.

Confraternização
Após as definições gerais em relação a negociações um momento lúdico foi realizado com a leitura do texto de Anton Tchekhov, “A Palerma”. Houve também sorteio de mais de 100 brindes doados por empresas da cidade e uma confraternização no restaurante Paladare.

Governo aceita corte na jornada de trabalho

Proposta em debate quer reduzir jornada de 44 horas para 40 horas por semana.

O governo federal já começa a discutir a possibilidade de permitir a redução da jornada de trabalho do brasileiro para 40 horas por semana. Assunto considerado tabu até bem pouco tempo atrás, a redução da atual jornada de 44 horas semanais, como estipula desde 1988 a Constituição, passou a ser lembrada nos gabinetes de Brasília como "medida possível" de ser tomada até o fim do governo Dilma Rousseff, em 2014. A ideia é muito popular no mundo sindical.

O s dados do mercado de trabalho apontam para uma realidade mais próxima das 40 horas semanais do que o previsto na Constituição. "O brasileiro já está trabalhando menos, então uma mudança constitucional não provocaria a polêmica que causaria alguns anos atrás", disse ao Estado uma fonte qualificada do governo federal.

Empresários, especialmente da indústria, criticam a bandeira das centrais sindicais pela redução da jornada de trabalho por entenderem que a mudança aumentaria os custos produtivos, uma vez que, com menos horas trabalhadas, seria necessário contratar mais funcionários.

Em 2012, até o mês passado, os 51,5 milhões de trabalhadores formais brasileiros cumpriram jornada de 40,4 horas por semana, em média. Em fevereiro deste ano, a jornada semanal chegou a ser de 39 horas.

De 2003 a 2012, houve uma queda deste indicador, estimado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A série histórica do IBGE começa em março de 2002, portanto uma comparação entre os nove meses de cada ano só é possível a partir de 2003.

Acordos. Em média, os trabalhadores brasileiros cumpriram jornada de 41,2 horas por semana entre janeiro e setembro de 2003. No ano passado, o indicador foi de 40,6 horas por semana, em igual período.

Segundo José Silvestre, diretor de relações do trabalho do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), a queda da jornada ocorreu por dois fatores: os ganhos crescentes de produtividade que permitiram, por sua vez, acordos coletivos em diversas categorias que reduzem a jornada.

Dois dos maiores sindicatos do Brasil - dos metalúrgicos do ABC, que representa 112 mil trabalhadores, e dos metalúrgicos de São Paulo, que representa 430 mil trabalhadores - cumprem jornada de, no máximo, 40 horas semanais há quase dez anos.

Com os ganhos de produtividade por meio da maturação dos investimentos realizados nos últimos anos, a indústria de transformação tem reduzido naturalmente a jornada de seus operários, entende Silvestre, para quem a ação sindical é decisiva para "acelerar" este processo. Categorias como enfermeiros já cumprem jornadas inferiores, de 38 horas por semana e, em alguns casos, de 36 horas por semana.

Desafio. Para o secretário executivo do Ministério do Trabalho, Marcelo Aguiar, o grande desafio do governo será manter essa redução da jornada num cenário onde o ritmo dos avanços deve ser menor do que o anterior.

"Vivemos um período onde a taxa de desemprego despencou, ao mesmo tempo em que o rendimento tem aumentado em todas as categorias, e a jornada tem caído. O desafio, agora, é manter toda essa engrenagem funcionando", afirmou Aguiar.

Uma mudança constitucional, fixando um novo teto de jornada semanal de trabalho, aceleraria o movimento de redução do tempo de trabalho em categorias e regiões que ainda contam com jornadas superiores a 40 horas por semana.

Especialistas apontam que, entre os setores, o mais "crônico" seria a construção civil, onde os operários chegam a cumprir jornadas superiores ao teto constitucional de 44 horas por semana.

Entre as capitais pesquisadas pelo IBGE, três apresentaram no mês passado os resultados mais distantes: São Paulo (SP), com média de 42,3 horas por semana, Rio de Janeiro (RJ), com 42,2 horas por semana, e Porto Alegre (RS), com 42 horas por semana.

Fonte: O Estado de São Paulo, por João Villaverde, 29.10.2012

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Comerciários, 80 anos de uma conquista

O Dia do Comerciário nos remete a uma história de luta de uma das categorias mais antigas do Brasil, mas que ainda não é reconhecida legalmente como profissão. Esta data marca os comerciários como os precursores da luta dos trabalhadores na conquista da jornada de trabalho de oito horas diárias e do repouso aos domingos e feriados. Neste dia, a  Federação dos Empregados no Comércio de Bens e Serviços/RS (Fecosul) cumprimenta a todos esses valorosos profissionais que recebem a população com tanta atenção e carinho, contribuindo para a autoestima e o bom atendimento do consumidor. Profissionais que, na maioria das vezes, esquecem as suas dificuldades pessoais, como a baixa remuneração, e, em muitos casos, ainda, precárias condições de trabalho, constituindo-se como parte fundamental da roda que a faz a economia girar. Completamos 80 anos desde aquele 29 de outubro de 1932, quando os comerciários aglomeraram-se no Largo da Carioca, no Rio de Janeiro, e marcharam em direção ao Palácio do Catete, com quase 5 mil pessoas, para exigir um trabalho mais digno e humanizado.

O presidente Getulio Vargas os recebeu e nesse mesmo dia assinou o Decreto Lei N° 4.042, de 29 de outubro de 1932, que acabava com a carga horária de 12 horas diárias, passando para 8 horas, e instituía o repouso semanal remunerado aos domingos. O decreto-lei foi publicado no Diário Oficial do dia 30 de outubro de 1932, e assim marcada está a data como o Dia do Comerciário. O espírito de luta e a determinação daqueles companheiros comerciários, que foram os percursores de um movimento contra as precárias condições de trabalho, nos inspiram, até hoje, através de gerações, renovando a disposição de luta dos trabalhadores comerciários em defesa do desenvolvimento, da valorização da profissão com mais qualificação, melhores salários e condições de trabalho.

Guiomar Vidor
Presidente da Federação dos Empregados no Comércio de Bens e de Serviços/RS

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Apesar do crescimento nas vendas, negociação com comerciários não avança

Os comerciários de Ijuí e região, da base de atuação do Sindicato dos Empregados do Comércio de Ijuí, realizaram sua assembleia geral ordinária mensal na última sexta-feira (14). Os informes sobre o dissidio deste ano mobilizaram os comerciários e a reunião foi marcada pela grande participação da categoria.


Patrões oferecem o piso regional
O comércio gaúcho acumula alta de 10,4% no primeiro semestre de 2012 (crescimento real, já descontada a inflação). O setor de hiper e supermercados, segmento de maior peso no varejo, registra um crescimento ainda maior em 2012, com alta de 15,4% no semestre.
Apesar do crescimento nas vendas, a negociação entre o SINDILOJAS e o Sindicato dos Comerciários é tradicionalmente marcada pelo impasse e o momento difícil pelo que passa a COTRIJUI foram avaliados.

Para este ano, o SINDILOJAS oferece aos trabalhadores do comércio um piso de R$ 732,00 (já garantido pelo piso regional do estado) e 6% para os demais salários. O INPC (índice que mede a variação dos preços no mercado varejista, mostrando, assim, o aumento do custo de vida) ficou em 4,88%. O aumento real para o trabalhador seria de 1,12%.

O Sindicato pede R$ 750,00 para o piso e um aumento de 7% para os demais salários, com um ganho real de 2,12%. Guilherme Persich, diretor que conduz as negociações no lugar da Presidente Rosane Simon que está licenciada, diz que o SINDILOJAS não responde as tentativas de negociação. O Sindicato aguarda uma nova rodada para a próxima semana.

Dissídio da COTRIJUI deve fechar esta semana
Apesar do momento pelo que passa a cooperativa, as negociações estão tranquilas e o acordo deve ser fechado nesta semana. A proposta da empresa é de um piso de R$ 770,00 e um aumento para os demais salários de 6% de maio a agosto e mais 1% a partir de setembro. Na proposta, os valores retroativos a data base de maio seriam pagos em 5 vezes (de outubro a fevereiro) e o auxílio escolar em 3 vezes.

No entendimento do Sindicato, este é o momento da empresa valorizar seus funcionários, sinalizando a confiança e parceria para superar o momento de crise. A diretoria da cooperativa se mostrou receptiva e uma contra proposta será apresentada pedindo o aumento de 7% já a partir de maio e o pagamento dos valores retroativos em 3 vezes. Guilherme Persisch e o assessor jurídico Luiz Carlos Vasconcellos estão confiantes de que as negociações chegam ao acordo ainda nesta semana.

O setor de peças e de veículos já tem valores definidos. O piso fechou em R$ 762,00 e o aumento para os demais salários ficou em 7%.

Nova Sede Campestre
A categoria foi informada também sobre o andamento das obras da nova sede campestre no Povoada de Santana, próxima ao Rio Potiribú. Algumas melhorias já foram realizadas como a ampliação de banheiros e o cercamento da área e as obras de cobertura da quadra de esportes estão em andamento.
A direção convida a todos para que visitem e conheçam a nova sede que deverá estar em pleno funcionamento neste verão.

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Abgail Pereira, secretária do Turismo do RS, apoia uma presença mais forte da mulher na política e defende uma mudança na forma com que a televisão brasileira divulga a imagem feminina

10/09/12

Abgail Pereira é secretária de Turismo do Governo do Estado e foi a 1ª secretária da Mulher da CTB-RS, em 2007.
CTB-RS – No ano passado, 46 mulheres foram assassinadas e entre janeiro e agosto deste ano, o número já chega a 50. Além disso, os casos de denúncias de violência contra a mulher são de, em média, 40 ligações por dia. O que a senhora acha que ainda precisa ser feito para que essa realidade seja modificada?

Abgail – Precisamos organizar, cada vez mais, ações que mobilizem as entidades representativas, o poder legislativo e executivo, as lideranças e a sociedade, chamando a atenção para o absurdo que é nós amargarmos com esses números. O Rio Grande do Sul é o segundo estado do país com o maior índice de violência contra mulheres. Ao se identificar que esse número é mais presente na serra gaúcha e na fronteira, conclui- e que é algo ligado a nossa cultura de uma maneira conservadora e muita atrasada do ponto de vista das relações sociais.

O Estado já tomou várias iniciativas para enfrentar essa violência. Buscou delegacias da mulher, criou casas de abrigos, que oferecem todo respaldo para a mulher e seus filhos, instituiu promotorias legais. Apesar disso, muitas das pessoas que lidam no campo com bichos, seguem tratando a mulher pior do que bicho. Então acredito que essa é uma questão cultural e para que seja modificada é necessário que siga havendo um debate permanente sobre esse assunto.

A violência contra a mulher se inicia de uma forma subliminar, psicológica, emocional, parte para a física e acaba levando a morte. Na época em que reivindicávamos a Delegacia da Mulher, nós identificamos que o debate sobre isso precisa acontecer e que Lei Maria da Penha deve sair do papel e ser trazido para a vida. Em briga de marido e mulher a sociedade tem que meter a colher, sim! Esta é uma máxima que tem que ser seguida. Descobriu-se que o agressor, em geral, é uma pessoa que se diz amar a mulher, ou seja, que tem uma relação afetiva com ela, ou ele é o irmão, ou pai, ou marido. Como é que estão essas nossas relações afetivas, a ponto de se acabar com a vida de uma pessoa? Nós temos que enfrentar de forma coletiva essa situação, metendo a nossa colher como poder público, como entidades representativas do conjunto da sociedade.

A CTB tem dado uma contribuição muito grande para esse debate por trazer, na sua concepção, a questão da mulher como protagonista da sua história e por dar visibilidade a ela como trabalhadora e com sua a relação na sociedade. A mulher ao ir ao mercado de trabalho, ela evidencia necessidades e faz avançar a humanidade na conquista dessea direitos. A CTB sempre tem pautado esse debate e nós nos sentimos extremamente contempladas por uma central que chama para si a responsabilidade de ter esse debate vivo na sociedade.

CTB-RS – No 5º encontro das Trabalhadoras no Comércio e Serviços do RS, que aconteceu na Fecosul, no início do mês de agosto, a senhora defendeu a participação das mulheres na política e, consequentemente, nos espaços de poder. Por que a senhora acha que esse envolvimento é essencial para modificar a realidade da violência atual?

Abgail – É exatamente na política e nesses espaços de poder onde as coisas são decididas. As mulheres hoje ocupam todos os lugares da sociedade. Nós estamos presentes nas universidades, em todas as profissões, mas não estamos nos espaços de poder. Ainda é muito baixo o número das mulheres que participa das esferas de poder e nós já demonstramos a nossa capacidade, que precisou ser demonstrada, ao contrário do que acontece com os homens, que quando ascendem ao poder, não precisam provar suas capacidades. Isso porque, às mulheres, não basta estar qualificada do ponto de vista profissional. É preciso, ainda, comprovar que se é capaz. Na política ainda estamos num número muito reduzido. Nós precisar estar mais presentes nesse meio, porque humanizamos as relações.

Veja bem, se nós somos mais da metade da população e nós não participamos da política, está faltando essa metade. Está faltando esse olhar, esse sentimento, essa competência. Aqui na América nós já tivemos e temos ainda, Michelle Bachelet, Cristina Kirchner, Dilma Rousseff, mulheres que acenderam. Acho que essa é uma janela extremamente importante que mostra que as mulheres têm grandes capacidades. O cargo da presidência da república ao estar sendo preenchido por uma mulher nos deu uma visibilidade na ONU, por exemplo, mas isso por si só não resolve a nossa participação na política.

Esse ano nós temos mais mulheres candidatas, quiçá sejam eleitas. Torço para que nós tenhamos muitas mulheres candidatas a prefeitas das capitais no Brasil todo. Isso vai mudando a cara do Brasil. Antigamente, nós exercitamos a cidadania ao lutar pelo direito ao voto, agora nós queremos o direito de sermos votadas.

CTB-RS – As novelas e seriados da televisão brasileira mostram, seguidamente, as mulheres sendo alvo de preconceito, agressões, maus tratos. A senhora acha que esses temas são explorados da maneira correta ou poderiam ser conduzidos de outra forma?

Abgail – Deveriam sim ser conduzidos de outra forma. O uso da imagem social da mulher é extremamente distorcido e não representa o que é realmente a vida dela. Nas novelas, muitas atrizes têm suas personagens retratadas como fofoqueiras, fuxiqueiras, ou são mencionadas e valorizadas, apenas, por suas belezas físicas, sendo taxadas de “gostosas”. Essa é uma cultura que usa a mulher como uma propriedade ou como um objeto. Na música, por exemplo, elas são chamadas por frutas ou comparadas a animais.

No entretenimento, a mulher negra ainda é tratada pior. É difícil ela ser mostrada como alguém capaz, e quando consegue isso, ou ela é feia, ou má. Então é muito distorcido do papel que é hoje ocupado pela mulher na sociedade. Nós estamos no judiciário, na construção civil, nas universidades, somos ministras, deputadas, prefeitas. E como é que a TV representa essa mulher? É com o uso do corpo para vender cerveja, moto, produtos que muitas vezes não estão nem associados ao universo feminino. A mulher é usada apenas como um atrativo, sem se explorar sua capacidade que vem contribuindo com o avanço da humanidade.

CTB-RS – Segundo um estudo feito pelo Banco Mundial e divulgado no mês de agosto, de 2000 a 2010, a participação das mulheres no mercado de trabalho na América Latina aumentou 15%. Fato que contribuiu no combate a extrema pobreza inclusive durante a crise financeira, que explodiu em 2008. Apesar da independência financeira que parte feminina da população vem conquistando, há muitas mulheres que, em paralelo a isso, se submetem a viver com homens que as maltratam e não dão o seu devido valor. Por que a senhora acha que isso ainda ocorre?

Abgail – Posso afirmar que eu já me fiz essa pergunta por diversas vezes. Ao me reunir com mulheres que são expostas a situações de violência e procurar essas repostas, acabei identificando um mundo, em que é atribuído às mulheres serem as cuidadoras. Por várias gerações foi estimulado e culturalmente aceito isso. Nós cuidamos da natureza, das pessoas, dos animais. Historicamente isso perpassou gerações. Por vezes, as mulheres defendem o seu agressor dizendo “quando ele não está bêbado ele é bom”, “ele é um bom pai”, “ele me bate, mas não deixa faltar nada em casa”, “ruim com ele, pior sem ele”. Além disso, os filhos, a família e a sociedade cobram de uma mulher que abandona o homem. Porque o homem não é um ser agressor por natureza, e sim, é um ser agressor porque foi constituído socialmente num sistema em que é interessante que ele seja quem domina, assim ele reproduz por vezes essa opressão e bate.

É difícil para a mulher se desvencilhar do elo afetivo, mesmo sendo agredida. Há dados que dizem que as mulheres levam em média 10 anos para denunciar as agressões. Existem, ainda, situações em que a denúncia é feita, mas com o passar do tempo, elas voltam para os maridos, sempre na tentativa de resguardar a relação e isso por vezes custa a vida da mulher.

Num primeiro momento, nós achávamos que elas não denunciavam porque não ia adiantar nada. Hoje, com o advento da Lei Maria da Penha – duramente conquistada pelo movimento de mulheres, que vem tentando se afirmar na sociedade e enfrenta resistência do próprio poder judiciário para que ela seja aplicada – as mulheres estão denunciando mais e os números começam a aparecer. Por isso, algumas pessoas acreditam que as delegacias não estão cumprindo com seus objetivos, por acharem que o número cresceu, mas ele não cresceu. Ele apenas evidencia uma situação que já existia, mas que estava escondida. Hoje com o amparo das delegacias e das casas de abrigo, as mulheres estão indo denunciar mais.

Aline Vargas